D. PEDRO IV
E AS FEIRAS NOVAS
1826


POR AMÂNDIO DE SOUSA VIEIRA


Amândio de Sousa Vieira acaba de publicar novo livro sobre as "Feiras Novas". O autor limiano volta a trazer o testemunho directo de uma época: a carta régia de 5 de Maio de 1826 que atende ao pedido dos "moradores da vila de Ponte de Lima" e determina "que nos sobreditos dias 19,20 e 21 do mês de Setembro de todos os anos se faça feira (as Feiras Novas) de todos os géneros, mercadorias e gados".
Amândio de Sousa Vieira convive muito bem com a ideia de Lucien Febvre: "a história faz-se com documentos escritos, sem dúvida. Quando estes existem. Mas pode fazer-se, deve fazer-se sem documentos escritos, quando não existem. (…) Logo, com palavras. Signos. Paisagens e telhas." Mas neste caso a fonte histórica é suficiente e indiscutível porque chega em primeira -mão da Chancelaria de D. Pedro IV.
A memória das Feiras Novas é iluminada por este documento e põe em causa outras fontes documentais. "Em 7 de Junho de 1826 é anotado no Livro de Registos da Câmara Municipal de Ponte de Lima, a autorização para a realização das feiras pedidas, sendo o texto praticamente igual ao documento régio, excepção ao nome do rei, aqui D. João, já falecido. Nunca saberemos com exactidão, o que levou o escrivão a tal lapso…". O que nos diz a crítica objectiva é o seguinte: não se trata de um documento original, mas de uma cópia falsificada. Por isso esta obra (D. Pedro IV e as Feiras Novas - 1826) repõe nos nossos dias a verdade sobre os acontecimentos do passado. E parece ser esse o interesse do Amândio de Sousa Vieira que exerce aqui o ofício, não do copista, mas do historiador atento e escrupuloso : "em função da vida - isto é do presente - interroga o passado, o que já deixou de existir, através dos seus olhos" para partilhar connosco uma história local viva e autêntica.

Luís Dantas